Artigo e Numeral no estudo das Classes de Palavras


Artigo

O próprio conceito de artigo leva a uma subdivisão dessa classe gramatical: Artigos definidos – o, a, os, as; Artigos indefinidos – um, uma, uns, umas.

Vamos supor que uma emissora de rádio, durante sua programação, tenha transmitido a seguinte notícia: Um incêndio de grandes proporções está des­truindo, neste momento, um prédio comercial no centro de São Paulo. Pessoas que trabalham no local disseram que ouviram uma explosão e, logo a seguir, viram muita fumaça. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o prédio não possui sistema de segu­rança contra fogo e o incêndio pode se espalhar para outros prédios vizinhos. Ainda segundo soldados do Corpo de Bombeiros, a explosão teria sido causada por vazamento de gás.

Artigo e Numeral no estudo das Classes

Observe a mudança nas palavras que antecedem os substantivos incêndio, prédio e explosão nas duas vezes que esses substantivos ocorrem no texto.
1a ocorrência 2a ocorrência
um incêndio
— >    o incêndio
um prédio
— >    o prédio
uma explosão
— >    a explosão

As palavras o, a, os, as e um, uma, uns, umas que servem para definir/individualizar ou indefinir/generalizar o sentido do substantivo chamam-se artigos. ARTIGO – palavra que se coloca antes do substantivo para determiná-lo de maneira particular (definida) ou geral (indefinida). Não se esqueça de que a classe gramatical de uma palavra depende das relações que ela estabelece com as demais palavras do enunciado. A palavra a, por exemplo, pode funcionar como artigo e também como pronome ou preposição; o o pode ser artigo ou pronome; um pode ser artigo, numeral ou pronome.

Principais empregos do artigo

Substantivação

O artigo sempre aparece associado ao substantivo. Assim, se for associado a uma palavra de qualquer outra classe gramatical, essa palavra passará a desempenhar o papel de substantivo. Esse fato gramatical denomina-se substantivação. A palavra longe, por exemplo, normalmente é ad­vérbio e a palavra cantar é verbo; no enunciado abaixo, no entanto, por estarem determinadas por artigo, elas funcionam como substantivos.

Palavras que não admitem artigo

Há casos em que o artigo definido não pode ser usado. Veja os principais:
• Antes de nomes de pessoas conhecidas, famosas, e antes de nomes de cidades. Exemplos: Leonardo da Vinci foi um inventor genial. Nosso amigo visitou Goiânia. Observação: Se o nome da pessoa ou da cidade apresentar um caracterizador, a presença do artigo torna-se obriga­tória. Exemplos:
O genial Leonardo da Vinci foi um dos maiores inventores de todos os tempos. Nosso amigo visitou a bela Goiânia.

Os artigos e suas combinações

Os artigos podem combinar-se com algumas prepo­sições, formando com elas uma só palavra.
Exemplos: Você não aderiu à manifestação dos estudantes?
a + a          de + os
(preposição + artigo)  (preposição + artigo)

Crase

É, em geral, a combinação do artigo a(s) com a preposição a. Normalmente, essa preposição é exigida pela palavra anterior ao artigo. Na frase abaixo, por exemplo, ela é exigida pelo verbo voltar (voltar à algum lugar). Voltei à cidade. A [Voltei   + a cidade]

O artigo sempre se junta a um substantivo (nome); por isso, do ponto de vista sintático, ele funciona sempre como adjunto adnominal. Lembre-se de que, dentro de um termo, há uma hierarquia sintática (a elementos mais importantes associam-se outros menos importantes). No exemplo acima, dentro do sujeito uma solitária garça branca, temos:
•    garça (subst.) — núcleo do sujeito -> elemento mais importante
•    uma (artigo) — adjunto adnominal elementos menos importantes
• solitária (adjetivo) — adjunto adnominal branca (adjetivo) — adjunto adnominal

No objeto o céu claro de setembro, temos:
•    céu (subst.) — núcleo do objeto —> elemento mais importante
•    o (artigo) — adjunto adnominal
•    claro (adjetivo) — adjunto adnominal
elementos menos importantes

Numeral

Conceito

Os numerais podem ser representados por dois tipos de algarismos: os arábicos (l, 2,3,4 etc.) e os romanos (I, II, III, IV etc.). Em referência a reis, papas, séculos, partes de uma obra etc., é comum o emprego dos algarismos romanos, cuja leitura se faz conforme segue. • Se o numeral está depois do substantivo:
lê-se em ordinais até déci­mo. Exemplos: D. Pedro I (lê-se: primeiro) Papa Paulo VI (lê-se: sexto) Capítulo X (lê-se: décimo)
lê-se em cardinais de onze em diante. Exemplos: Capítulo XI (lê-se: onze) Século XVIII (lê-se: dezoito)

Classificação do numeral

Dependendo de sua finalidade específica, um nume­ral pode ter uma das classificações do quadro a seguir. Indica uma quantidade determinada, exata, de seres. Exemplo: 250 milhões de crianças trabalham diaria­mente. Observação: No caso específico de numeração de artigos de leis, decretos, portarias etc., empregam-se ordinais até nono (exemplo: Artigo IX — nono) e cardinais de dez em diante (exemplo: Artigo X — dez).
• Se o numeral está antes do substantivo, empregam-se sempre os ordinais. Exemplos: XVIII século (lê-se: décimo oitavo século) XV cena (lê-se: décima Quinta cena)

Os numerais como recurso expressivo

Exemplo: “Queria querer gritar setecentas mil vezes Como são lindos, como são lindos os burgueses.”

Relações morfossintáticas do numeral

Indica a posição de alguém (ou de algu­ma coisa) numa determinada sequência. Exemplo: Muitas crianças trabalham já na primeira infância.
Multiplicativo indica a multiplicação de uma quantidade. Exemplo: Na assistência à infância, a prefeitura deve­ria investir o triplo do que investe.
Indica uma divisão, uma fração de uma quantidade. Exemplo: Milhões de crianças trabalham em horário j integral ou meio período.

Dentro de um grupo sintático, o numeral pode exercer o papel de núcleo do termo (do sujeito, do objeto etc.) ou de adjunto adnominal (elemento secundário). Exemplos: sujeito
• Vários milhões foram gastos naquela obra inútil, classe: numeral função sintática: núcleo do sujeito objeto
• Os torcedores não gostaram do segundo tempo do jogo.
classe: numeral função sintática: adj. adnominal