Sujeito, Predicado, Análise Sintática e Concordância do Sujeito


Sujeito: Sintaxe e Morfologia

Todas as línguas possuem um conjunto de pala­vras, um vocabulário. Falar um idioma implica, em par­te, conhecer um bom número dessas palavras. Mas se alguém decorar o dicionário de um idioma estrangeiro, por exemplo, do alemão, ainda não será capaz de ex­pressar-se nesse idioma. Isso porque, além do dicioná­rio, as línguas possuem determinadas regras para agru­par as palavras em frases, de modo que sem o conheci­mento dessas regras não é possível falar corretamente o idioma.

Sujeito, Predicado

De fato, uma frase não é um amontoado de palavras. Como vimos anteriomente, as frases pressupõem, por exem­plo, uma certa ordem para as palavras, de tal maneira que existem ordens possíveis e ordens impossíveis. Essas observações dizem respeito à parte da Gra­mática que estuda o modo como as palavras se combi­nam em frases, chamada de Sintaxe. Esse estudo se opõe ao da Morfologia, a parte da Gramática que enfoca as palavras isoladamente, sem considerar as frases em que podem ocorrer.

A Análise Sintática

O termo analisar significa, literal­mente, separar, dividir. A análise, por­tanto, é um método para decompor determinado objeto nos elementos ou partes de que ele é formado. Trata-se de um procedimento comum às várias ciências, inclusive a Gramática. A expressão análise sintática significa análise da sintaxe, isto é, análise dos procedimentos utiliza­dos em um idioma para combinar palavras em frases. Em termos es­colares, a expressão normalmente designa um método para decompor, dividir as frases em seus elementos formadores. Para nosso estudo, po­demos, portanto, compreender a análise sintática como um método para operar divisão de frases.

Sujeito e Predicado

A primeira questão que se colo­ca em análise sintática é: quais os elementos básicos que compõem uma frase? Tradicionalmente a resposta a esse problema diz que os elementos básicos de uma sentença são o sujeito e o predicado.

A Concordância Sujeito – Verbo

A concepção filosófica de sujeito e predicado, se bem não possa ser totalmente descartada, não é inteira­mente adequada ao moderno estu­do de análise sintética. Para sermos mais rigorosos (mais “científicos”) devemos conce­ber o sujeito e o predicado com base em características gramaticais – e não apenas filosóficas – desses dois termos.

O primeiro ponto a perceber é que as modernas teorias de Sintaxe relacionam sujeito e predicado à existência de um verbo dentro do enunciado. Se uma frase não possui verbo, ela também não possui nem sujeito nem predicado. Aceita essa ideia, podemos no­tar que as frases estruturadas com verbo apresentam, na maioria das vezes, um termo que contrai concor­dância com o verbo.

Vamos começar por uma frase simples: (1) O médico examinou o paciente. O verbo desta frase é “exami­nou”. Esse verbo está no singular. Os outros dois termos, “o médico” e “o paciente”, também estão no sin­gular. Tentemos modificar esses termos e perceber se algum deles contrai concordância com o verbo. De início, vamos passar “o paciente” para o plural. A frase ficaria: (2) O médico examinou os pacien­tes. Nada há de anormal nesta sen­tença. Ela é gramaticalmente correta e seu significado não causa estra­nhamento. É perfeitamente possível que um médico examine mais de um paciente.

Algo diferente ocorre ao passar­mos “o médico” para o plural. (3) Os médicos examinaram o pa­ciente. Perceba que agora o verbo tam­bém passa para o plural e “exami­nou” se torna “examinaram”. Essa alteração não precisa provocar ne­nhuma modificação no termo “o pa­ciente”, que pode perfeitamente per­manecer no singular.

Com essas transformações na frase (1), percebemos que existe concordância entre “examinou” e “o médico”, mas não entre “examinou” e “o paciente”. O termo “o médico” possui uma característica gramatical própria: é o termo com o qual o verbo concorda. Por esse motivo dizemos que “o médico”é o sujeito da frase (1). Che­gamos a essa conclusão não por mo­tivos filosóficos, mas por razões gra­maticais. Em análise sintática moder­na definimos o sujeito com base em sua concordância com o verbo. O predicado fica sendo, então, o termo da frase que contém o verbo.

A Ordem Sujeito e Verto

Na grande maioria dos casos, o sujeito aparece colocado à esquerda do verbo e no início da frase. Seguin­do um critério estatístico, a ordem sujeito + verbo, com o sujeito no início da frase, é então denominada de ordem direta. Se, por outro lado, a frase apresentar o sujeito após o verbo, dizemos que está redigida em ordem inversa ou indireta. Assim, o enunciado a seguir está redigido em ordem direta: (4) Meus primos viajaram. Enquanto este outro está em or­dem inversa: (4a) Viajaram meus primos.