Linguagem, Estrutura e Processo de Formação de Palavras


Linguagem culta é a que obedece radicalmente às regras gramaticais e é aquela indicada pela sua escola. Linguagem coloquial é usada nas relações mais informais, no seu dia-a-dia, sem a preocupação de obedecer a normas gramaticais. Nesse tipo de linguagem é comum o uso de gírias, expressões populares e as incorreções gramaticais.

Linguagem, Estrutura

Níveis de linguagem

Atualmente há uma classificação para cinco níveis de linguagem:
1)         Nível Médio – constitui a linguagem culta informal, utilizada no cotidiano, que tem por característica a correção linguística e emprego de um vocabulário “fácil”, isto é, de entendimento da maioria da população. Ex. Linguagem do Jornal Nacional.
2)         Nível Familiar – é a linguagem da intimidade quando as pessoas se comunicam mais livremente. É chamada também de coloquial ou informal. Possui estruturas bastante simples, sem o esmero que haveria na linguagem culta. Ex. Em nossa sala tem muitas carteiras quebradas.
3)         Nível Relaxado – utiliza gírias e apresenta muitas conversões gramaticais e desvios da linguagem culta ou até mesmo coloquial. Ex. Cara, a coisa ta maneira!
4)         Nível Elevado ou Técnico – é a linguagem culta acrescida da literária. Ex. Como se de uma cornucópia lhe brotavam os desajustes oníricos.
5) Nível Técnico – é a linguagem utilizada profissionalmente onde as palavras comuns dão lugar às palavras técnicas. Ex. Freud afirmava que o método descoberto por Breuer, a psicoterapia catártica e psicanálise, desenvolvida a partir daquela, operavam per via dl levare, não per via de porre como as outras…

ESTRUTURA DA PALAVRA

Um texto é constituído com palavras e cada uma delas tem uma classificação de acordo com seu papel dentro do contexto. Lembremo-nos, porém, que elas têm uma estrutura quanto à sua formação, cada uma delas tem a sua característica e as suas “peças”. O que é morfema? Do grego “morphe”, a palavra morfema significa cada unidade significativa que forma uma palavra.

São formas presas que se agregam ao radical, modificando-lhe, geralmente, a significação básica. Podem estar em duas posições:
prefixo – colocado entes da raiz:
in + feliz – infeliz
ré +vender – revender
sufixo – colocado depois da raiz
feliz + mente – felizmente amor + oso – amoroso

Desinências

São elemento morfológico que, ligado ao radical dos nomes, indica o “gênero”, sendo masculino ou feminino e ao “número”, designando singular ou plural; e ao radical dos verbos, indicando singular ou plural e a pessoa, sendo a 1a, 2a ou 3a.

Desinências nominais
Gênero: menino — Menina gato — gata pato — pata
Número: gato — gatos gata — gatas pato — patos pata — patas

As desinências nominais indicam o gênero e o número dos substantivos, adjetivos, numerais e pronomes.

Desinências verbais
Número – pessoal
Amavas – s (2a pessoa do singular) Amássemos – mos (1a pessoa do plural)
Modo – temporal
Amavas – vá (pretérito imperfeito do modo indicativo) Amássemos – sse (pretérito imperfeito do modo subjuntivo)

As desinências verbais indicam variações de tempo, modo e pessoa.

Vogal temática

É a vogal que caracteriza o tema, ou melhor, é a vogal que possibilita a palavra de receber as flexões

PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS

1 – Derivação
É o processo de formar palavras mediante o auxílio de afixos ou supressão e alteração de fonemas terminais. A derivação apresenta cinco (5) modalidades:
a)     Prefixai (ou prefixação) – acrescenta-se um prefixo à palavra primitiva ou a um radical. Exemplos: Desamor – antever – prever;
b)     Sufixai (ou sufixação) – acrescenta-se um sufixo ao radical ou à palavra primitiva;
c)     Prefixai e sufixai (ou prefixação e sufixação) – acrescenta-se um prefixo e um sufixo ao radical, sem que isso ocorra ao mesmo tempo, isto é, com o prefixo ou sem o prefixo, a palavra tem sentido. Exemplos: Deslealdade Infelizmente Desgraçado;ç
d)    Parassintética (ou parassíntese) – É o acréscimo ao mesmo tempo (simultâneo) de um prefixo e um sufixo ao radical, formando uma única palavra. Exemplos: Amortecer Enriquecer Descampado Entardecer;
e) Regressão – Acontece quando há retirada de elementos da palavra, isto é, a palavra derivada é menor que a primitiva. Corte (= “de cortar”) Descanso (= “de descansar”) Pulo (= “de pular”) Debate (= “de debater”) Estudo (= “de estudar”).

2 – Composição

E o processo através do qual se criam palavras novas pela junção de palavras ou de radicais já existentes.
a)     Composição por justaposição – quando cada elemento que compõe a nova palavra mantém sua pronúncia. Exemplos: Passatempo Sexta-feira Arco-íris Vaivém
b)    Composição por aglutinação – quando pelo menos um dos elementos que compõe a nova palavra tem sua pronúncia alterada. Planalto (plano + alto) Aguardente   (água + ardente) Pernalta  (perna + alta)

Outros processos

a)     Hibridismo – consiste em formar palavras com elementos de línguas diferentes. Exemplos: Surfista   (inglês e grego) Automóvel (grego e latim) Sociologia (latim e grego) Sambódromo (africano e grego).

b)     Onomatopeia consiste na reprodução aproximada de sons ou ruídos por meio de palavras. Exemplos: tchibum! tique – taque zunzum.

c)     Redução – consiste na redução fonética de uma palavra ou expressão. Exemplos:
foto (fotografia)
quilo (quilograma)
pneu (pneumático)
moto (motocicleta)
cine (cinema)

d)    Sigla – processo muito empregado atualmente que consiste em reduzir certos títulos e expressões, utilizando a letra ou a sílaba inicial de cada um dos elementos. Exemplos:
USP – Universidade de São Paulo
IBOPE – Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
OVNI – Objeto Voador Não-Identificado
UEM – Universidade Estadual de Maringá

e)     Neologismo – criação de novos termos. Exemplos:
Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.
Os magos janeiram dia 6.

f)    Estrangeirismo – acontece com o emprego de palavras estrangeiras, hoje alvo de críticas e proibições.
Exemplos: Fomos ao shopping. Elas já estão no hall.

g)    Palavras-valise (palavras-centauro) – consiste em juntar um pedaço de uma palavra mais o pedaço de outra. Exemplos: Showmício Portunhol

Na formação de palavras, vimos que a colocação de um elemento antes da palavra altera-a, dando lugar a uma nova ideia. Via de regra, a palavra formada por prefixação já vem feita do latim ou do grego, de modo que, muitas vezes, não se percebe a existência do prefixo. Outros prefixos, no entanto, aparecem na formação de palavras. São partículas de origem grega ou latina que se unem ao vocábulo dando forma a novas palavras. Tais prefixos, ou por questões de pronúncia, ou para possibilitar a autonomia de determinada palavra, são unidos por hífen a essa palavra. Vezes há em que o hífen não é utilizado.

É bastante complexo o estudo dos prefixos. No entanto, precisamos fazer algumas observações que julgamos oportunas. O “Formulário Ortográfico” registra o uso de uma série de prefixos, sistematizando os casos em que eles se agregam às palavras através do hífen, como estudamos nos casos acima. Apresentaremos abaixo uma relação dos prefixos que mais aparecem em português e seus respectivos significados seguidos de exemplos.

Prefixos latinos
Ad – aproximação: advento, adjacência
Ab – afastamento: abjurar, abdicar
Ante – anterioridade: antepor, ante-sala
Contra – oposição: contradizer, contraprova
Extra – posição exterior: extralinguístico, extrajudicial
Inter – entre: intermediário, internacional
Infra – abaixo de: infravermelho, infra-estrutura
Semi – metade: semicírculo, semideus
Super – acima: supercílio, superpor
Supra – acima: supracitado, supradito
Sub – posição inferior: movimento de baixo para cima:
submeter, subdiretor, subjulgar
Ultra – posição além do limite: ultramarino, ultrapassar.
Prefixos gregos
Anti – oposição: antítese, antiaéreo Arqui – posição em cima; supremacia: arquimilionário Hiper – sobre, além de: hipérbole, hiper-sensível Auto – próprio: autobiografia, auto-sugestão

Observações:
a)Fugindo à regra, a palavra extraordinário escreve-se sem hífen.
b) Nos compostos com o prefixo bem, usa-se hífen quando o segundo elemento tem vida autónoma ou quando a pronúncia assim o exigir.
Exemplos: bem-vindo, bem-estar, bem-aventurado, etc.