Resumo sobre Verbosidade


Dizer muito, sem necessariamente, ter tanto a dizer. Esse é o grande pressuposto a ser discutido quando falamos sobre verbosidade. O termo verbosidade também é considerado um sinônimo da palavra ‘prolixidade’, ou seja, característica de alguém que demora (ou que se alonga demais) para explicar algo que na realidade deveria ser mais simples.

Resumo sobre Verbosidade

Imagine o seguinte exemplo: Você questiona o indivíduo sobre qual é a origem do seu carro. Ao invés de simplesmente responder “francês”, ele dará vários rodeios.

Ele provavelmente lhe contará não só sobre a origem do carro, como também, sobre os motivos que lhe levaram à compra, sobre seus principais atributos e qualidades, sobre outros modelos similares e assim por diante.

A oposição, neste caso, é o simplista – indivíduo que prefere ir diretamente ao ponto, ou seja, que não faz muitos rodeios para responder o que lhe foi questionado. No caso do exemplo, ele simplesmente diria: ‘meu carro é francês’.

Resumo sobre verbosidade

Há a crença na população de que, um discurso bem-feito, autêntico e verdadeiramente admirável deve ser cheio de palavras e complexo. Mas isso geralmente leva à redundância (ou seja, repetição) – e poucas são às vezes em que ele é necessário.

A verbosidade, por muitos anos, foi um norteador de determinados tipos de comunicação na sociedade, especialmente aquelas mais formais, como a linguagem corporativa, por exemplo.

Alguns exemplos de documentos oficiais que, desde sempre, se utilizam de verbosidade são:

  • Memorandos;
  • Relatórios para clientes;
  • Cartas com foco comercial;
  • Outros

Estes eram compostos por frases complexas, longas e com presença em excesso de palavras de difícil compreensão – o que ao invés de comunicar, muitas vezes, acaba provocando a incomunicabilidade (sentido inverso).

A redação das empresas, por décadas e décadas, entendeu que a qualidade de um artigo, relatório ou documento estava diretamente atrelada à sua dificuldade para compreensão. Não faz sentido, certo?

Felizmente, nos dias de hoje, a verbosidade vem perdendo o seu espaço. O dinamismo tomou conta da sociedade, e principalmente, das relações entre empresas, seus parceiros e consumidores. A comunicação – mesmo escrita – acompanha essa tendência, se tornando mais fluída, versátil e simplificada (de modo a atender à demanda dos interlocutores).

Como já deve ter ficado claro, a verbosidade é uma designação utilizada quando muitas palavras compõem um texto, documento ou outro – sem que haja sentido o suficiente para que todas elas estejam ali. Sendo assim, um texto de 10 linhas, pode acabar revelando menos do que uma ou duas frases – caso ele esteja repleto de verbosidades.

A palavra verbosidade também tem o sentido de ‘tagarelice’ ou de ‘loquacidade’, exatamente pela mesma razão.

A principal consequência do uso de verbosidade em excesso é que, na grande maioria das vezes, um texto que deveria ser simples acaba se tornando complexo e incompreensível por parte do receptor.

Entre as principais palavras que se encaixam no grupo de verbosidades podemos destacar:

  • Supracitado: que poderia ser substituída por ‘citado’;
  • Precípua: que poderia ser substituída por ‘principal’;
  • Levamos ao conhecimento dos envolvidos: frase que poderia ser substituída por ‘informamos’;
  • Destarte: que poderia ser substituída por ‘desta maneira’, ‘deste modo’ ou ‘desta forma’;
  • Antecipadamente do resultado somos gratos: frase que poderia ser substituída por ‘agradecemos’;
  • Outrossim: que poderia ser substituída por ‘além disso’, ‘temos também’ e outros termos sinônimos;
  • Viemos através deste (a) lamentar: que pode ser substituído por ‘lamentamos’.

Exemplos de discursos com presença de verbosidade

Além do uso demasiado em produtos e documentos empresariais, a verbosidade também marca presença em outros tipos de comunicação.

Alguns exemplos são:

• Discursos políticos: quem é que nunca se sentiu convencido sobre as propostas de um político por conta de seu discurso? Pois é. Esse tipo de comunicação também costuma ser recheada de verbosidades, exatamente como intuito de parecer ‘bonito o suficiente para conquistar o público’. Mas, preste atenção: geralmente, ele é utilizado exatamente pela falta do que dizer.

• Cartas de empresas ou universidades: se você for aprovado em uma universidade estrangeira, provavelmente receberá uma carta repleta de verbosidades. E tudo isso para evitar dizer apenas o que importa: Parabéns, você foi aprovado!

• Boletins de ocorrência e demais documentos da prática jurídica: a verbosidade ainda não foi eliminada neste tipo de documento. Mas pelo contrário: ela se prolifera de modo cada vez mais exagerado. Se você já abriu um processo jurídico ou recebeu uma intimação em casa, deve saber bem disso. O uso de linguagem rebuscada e composta por verbosidades é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes erros da Justiça – que deveria traduzir as informações de modo mais simplificado, favorecendo a compreensão da população como um todo.

• Tirinhas da língua portuguesa: o idioma, deste sempre, adotou esse caráter mais robusto. Algumas tirinhas, por conta disso, utilizam-se de verbosidade em excesso. Um exemplo clássico são as tirinhas de Charlie Brown (o dono de Snoopy).