Sintaxe: Frase, Oração, Período, Tipos de Sujeito e Predicação Verbal


Conceitos preliminares

Sintaxe é a parte da gramática que estuda a função das palavras na oração – sujeito, objeto, complemento, adjunto, etc. -, as classificações do período e da oração, além da concordância, regência e colocação das palavras. Se no estudo da morfologia era importante o estudo da classificação das palavras isoladamente, na sintaxe são as relações das palavras num determinado contexto que interessam. Além dessas relações, deve-se atentar para a função de cada palavra e como cada uma participa na construção da frase.

Sintaxe

O método usado para dividir a frase e seus elemen­tos constitutivos chama-se análise sintética. Para aplicá-lo é necessário separar os períodos e as orações do texto a fim de compreender a combinação entre as palavras. Para tanto, é interessante que os conceitos de frase, oração e período fiquem claros.

•     Frase – apresenta sentido completo e pode ser formada por apenas uma palavra ou um conjun­to de palavras. Classifica-se como frase verbal
se for formada por verbo e, na ausência deste, como frase nominal. Silêncio, meninos! (frase nominal) Preciso estudar muito, (frase verbal)
•     Oração – é um enunciado linguístico necessaria­mente formado em torno de um verbo ou de uma locução verbal, mesmo que subentendidos. O preço da cesta básica subiu novamente.
•     Período – é o enunciado linguístico formado por uma ou mais orações. É classificado em:
–  simples – com apenas uma oração; O filme de Clint Eastwood foi indica­do para o Oscar.
–  composto – formado por mais de uma oração. O filme de Clint Eastwood foi indica­do para o Oscar, mas não deve levar a estatueta que tanto merecia, pois a aceitação do público não foi boa.

Termos essenciais da oração

Os elementos básicos que formam uma oração são o sujeito e o predicado. Sujeito é o termo sobre o qual o restante da oração diz algo, portanto, tudo que não é sujeito é predicado! Como toda oração é organizada em torno de um verbo, é necessário ficar atento ao fenômeno da concordância, pois entre um sujeito e um predicado há um verbo que exige flexão de um ou de outro termo.

Tipos de sujeito

Simples: Quando existe apenas um núcleo. “Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito inexistente.”
Oculto: Quando não está expresso na oração, mas pode ser identificado. “Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.” “Achamos um artigo indefinido em sua bagagem.”
Composto: Quando existe dois ou mais núcleos. “O professor e a esposa tentaram ir para os Estados Unidos.”
Indeterminado: Quando não se pode identificar a quem se refere a ação verbal. Nesse caso o verbo aparecerá:
•       na terceira pessoa do plural. “Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.”
•       na terceira pessoa do singular, acompa­nhado do pronome se que, nesse caso, é índice de indeterminação do sujeito. “Achou-se um artigo indefinido em sua bagagem.”
Inexistente: Quando a ação verbal não é atribuída a ne­nhum ser. Ocorre com os verbos impessoais:
•       verbos que expressam fenômenos da natureza; Choveu durante todo o tempo em que es­tiveram nos Estados Unidos.
•       verbo haver no sentido de existir ou in­dicando tempo transcorrido; Não jogava havia muitos anos, desde o último campeonato.
•       verbos fazer, ir e ser com referência a tempo; Faz dois anos que o time venceu o campeo­nato do estado.
•       verbos bastar e chegar acompanhados da preposição de; Já basta de trabalho escravo. Hoje é dia 31 de março.
•       verbo ser empregado em relação a da­tas, horas ou distância

Predicação verbal

Observe que na fala do segundo balãozinho aparece o verbo dormir sem qualquer tipo de complemento, pois é um verbo de predicação completa. No entanto, no segundo quadrinho aparecem a locução verbal foi dizer e o verbo deu que são de predicação incompleta, pois exigem que outro termo esclareça o sentido: Por que ele foi dizer… o quê? Agora me deu… o quê?.

Classificação do verbo quanto à predicação

intransitivo: Verbo com sentido completo, dispensa complementos. De tanta fome, a criança chorou. Os animais do zoológico fugiram. O avião desapareceu nas nuvens.
transitivo direto: Verbo que exige um complemento não-preposicionado, denominado de objeto di­reto. Poucos viram o eclipse lunar. Derrubaram o velho casarão. O Brasil exporta muitos produtos agrícolas.
transitivo indireto: Verbo que exige um complemento neces­sariamente regido por preposição, denomi­nado de objeto indireto. Os brasileiros precisam de melhores salá­rios. O ator não gostava de entrevistas. Nós obedecemos às leis. Conspiraram contra os planos do presidente.
transitivo direto e indireto: Verbo que possui dois complementos. Escrevi um bilhete para o professor. Os alunos receberam elogios de seus pro­fessores. Entregamos o presente ao aniversariante.

verbo de ligação

É um verbo sem significação precisa, que liga o sujeito a uma característica estabe­lecendo entre eles (sujeito e características) certos tipos de relações. Os mais frequen­tes são: ser, estar, parecer, permanecer, fi­car e continuar. Para não confundir obser­ve que ele:
•       não tem significação própria. A mãe do menino estava preocupada.
•       não indica ação. Depois do acidente fiquei muito nervoso.
•       não indica a posição do sujeito num lu­gar. Com o fim do namoro Ana anda muito triste.

Ser é verbo intransitivo quando significa realizar-se, ocorrer, aparecendo sempre acompanhado de um adjunto adverbial de tempo ou de lugar.

O campeonato será difícil.
VL         PS
O campeonato será às dezessete horas.
VI         Adj. Adv. Tempo
O campeonato será no estádio Couto Pereira.
VI              Adj. Adv. Tempo
Estar, permanecer, ficar e continuar podem ser intransitivos quando indicam posição do sujeito num lugar.
O menino permanece triste.
VL                 PS
O menino permanece em seu quarto.
VI              Adj. Adv. Lugar
Alguns verbos intransitivos ou transitivos podem assumir a função de um verbo de ligação depen­dendo do contexto em que são empregados.
O jogador virou as cartas rapidamente.
VTD            OD
O cliente virou uma fera.
VL             PS

Complementos verbais

O objeto direto é o termo que se liga diretamente ao verbo transitivo direto, sem auxílio de preposição. O gerente despediu as vendedoras de perfumes. Em alguns casos, o objeto direto pode vir acompa­nhado de preposição (objeto direto preposicionado). Observe alguns casos a seguir.
•         Exprimir sentimentos – Se amasse a ela de ver­dade, eu me casaria.
•         Evitar ambiguidade – Ofendeu ao repórter o entrevistado.
•         Quando o objeto direto é representado pela pa­lavra Deus – Devemos amar a Deus.
•         Quando o objeto direto representa partitividade – Venha comer do meu pão.
•         Quando o objeto direto é representado por um pronome indefinido designativo de pessoa – Ela não conseguiu impressionar a ninguém.

O objeto indireto é o complemento que se liga a um verbo transitivo indireto por meio de uma preposi­ção, por isso pode ser substituído por a ele(s), a ela(s), dele(s), dela(s), nele(s), nela(s), etc. e, às vezes, por lhes. Necessito de sua compreensão. (VTI)

Predicativos do sujeito e do objeto

O predicativo do sujeito é a palavra que exprime a característica do sujeito e com ele concorda em género e número. Sua conexão com o sujeito se dá, geralmente, por meio de um verbo de ligação, no entanto pode ocor­rer com verbos intransitivos ou transitivos.

O guarda de trânsito caminhava atento pelas ruas.
vi          ps
Os atores invadiram o palco suados.
VTD                             PS
O rapaz parece preocupado.
VL              PS

O predicativo do objeto é o termo que, no predicado, indica característica ou estado do objeto, com ele concor­dando em género e número.
Ele encontrou a namorada cansada.
VTD              PO
A cantora olhava os fãs ansiosos.
VTD                     PO
O pai recebeu a notícia trágica.
VTD                              PO
Necessito dela.
VTI         OI

O objeto direto e o indireto podem apa­recer em forma pleonástica.
A mim, não me interessam as suas lamentações
O l          O l pleonástico
Meus discos, não os empresto a ninguém.
OI                 OI pleonástico

Os pronomes oblíquos átonos o (s), a (s) e suas variações exercem a função de obje­to direto. Encontrei-as no shopping. O pronome átono Ihe(s) exerce a função de objeto indireto quando for complemen­to verbal. Este relógio lhe pertence? Os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos e vos podem assumir a função de ob­jeto direto ou indireto dependendo da transitividade do verbo.
Convidaram-nos para assistir à peça.
VTD              OD