Acetilcolina


Em 1914, o fisiologista inglês Henry Halle Dale descobriu o nosso primeiro neurotransmissor. A Acetilcolina (ACH) é o hormônio neurotransmissor que é produzido tanto no sistema nervoso central como também no sistema nervoso periférico. É uma molécula formada e produzida no citoplasma das terminações nervosas.

acetilcolina

Para que a Acetilcolina seja formada é necessária uma reação entre a Colina, que é uma vitamina pertencente ao complexo B, junto da Acetil-CoA, que é justamente encontrada nas terminações nervosas.

A colina é transportada para o axoplasma do neurônio pelos pontos extraneuronais por um processo de captação de colina de alta e baixa afinidade. Após a síntese, a Acetilcolina é transportada para as vesículas de armazenamento. Cada vesícula pode conter de 1.000 a mais de 50.000 moléculas de Acetilcolina, além de ATP e uma proteína específica denominada vesiculina.

Função da Acetilcolina

Como a Acetilcolina é um neurotransmissor, sua principal função é atuar como um mensageiro entre as células nervosas e as diversas partes do corpo.

Os neurotransmissores são as substâncias químicas produzidas nas células nervosas com a função de sinalização celular. Esse processo em cadeia é o que permite ser criado em nosso corpo um complexo sistema de contato e comunicação que coordena e controla as atividades do corpo e as funções celulares.

Mas em alguns sistemas específicos a atuação da Acetilcolina fica mais destacada, que são:

Sistema respiratório;
Sistema muscular;
Sistema cardiovascular;
– Sistema excretor;
– Cérebro.

Ao ser liberada pelos neurônios, a Acetilcolina pode se ligar a dois tipos de receptores diferentes:

– Receptores nicotínicos: são canais do tipo iônico na membrana plasmática de algumas células. Eles podem ser divididos em Musculares, que são localizados na junção neuromuscular esquelética; Ganglionar, que são os responsáveis pela transmissão nos gânglios simpáticos e parassimpáticos; e SNC que se encontram no cérebro.

– Receptores muscarínicos: são canais do tipo metabotrópico que fazem associações com proteínas do tipo G.

Ao fazer as ligações com seus respectivos receptores, a Acetilcolina passa a atuar em diferentes ações no corpo humano. Esses diferentes tipos de recepções geram diversas atividades distintas no corpo derivadas da atuação da Acetilcolina.

Veja agora quais as principais funções da Acetilcolina e onde ela atua com extrema importância dentro do corpo:

– Contração muscular;
– Relaxamento intestinal;
– Miose das pupilas;
– Regula a taxa cardíaca reduzindo a frequência e diminuindo a contração do coração;
Aceleração da corrente sanguínea por conta da dilatação das veias;
– Aumento de secreções como a salivação e o suor;
– Facilita a comunicação das células cerebrais;
– Auxilia no aprendizado e na memória.

No cérebro, a atuação da Acetilcolina é de suma importância justamente por atuar em área relacionadas às questões cognitivas como na atenção e no aprendizado. Quando são consumidas drogas que bloqueiam a produção da Acetilcolina, são notados déficits de cognição, e em casos onde o consumo é maior, podem aparecer sintomas psicóticos.

Normalmente, a Acetilcolina é eliminada rapidamente depois de cumprir as suas funções básicas. Por isso o aumento de secreções é o último sistema por onde esse neurotransmissor atua em nosso corpo.

 

Alimentos que auxiliam a produção de Acetilcolina e efeitos adversos

Já que a produção de Acetilcolina depende da existência da Colina, encontrada em alimentos ricos no complexo vitamínico B, existem uma série desses alimentos que devem ser consumidos para manter a produção constante desse neurotransmissor tão importante.

Veja uma lista com alguns desses produtos ricos em colina:

– Ovos
– Amêndoas
– Soro de Leite
– Queijo
– Atum
– Aveia
– Soja
– Banana
– Batata
– Feijão
– Levedura
– Fígado
– Sementes de girassol
– Cogumelos
– Noz pecã
– Amendoim
– Salmão

 

Mas lembre-se: tudo demais é veneno! Evitar níveis excessivamente altos ou até baixos de Acetilcolina é essencial para que as funções onde atua possam ser executadas de maneira regular. Comer esses alimentos ricos em Acetilcolina ajuda a garantir uma produção a níveis ideais para o corpo, mas não se deve exagerar.

Um dos efeitos que esse excesso pode causar é a toxidade acetilcolina. O tratamento médico comum para o caso desse tipo de sintoma é com medicamentos como Aripiprazol ou Difenidramina. Mas o atendimento médico imediato é necessário caso apareçam sintomas relacionados com as funções que a Acetilcolina desempenha no corpo.

Pessoas com fraqueza muscular e fadiga rápida de mais quando o músculo é exigido podem ter Miastenia grave, que é um distúrbio crônico neuromuscular e está diretamente ligado à produção da Acetilcolina.

Pacientes que desenvolvem essa doença são os que geralmente possuem anticorpos que atuam contra os receptores da Acetilcolina. Esses anticorpos reduzem o número de receptores, principalmente os que são voltados para as atividades musculares. Em 87% dos pacientes que sofrem com a Miastenia grave, foram encontrados esse tipo de anticorpo que atua contra a recepção da Acetilcolina.