Resumo das ideias de Mendeleiev e Meyer sobre a classificação periódica


Quem nunca precisou decorar a tabela periódica para a prova de química? Trata-se do principal símbolo para químicos do mundo inteiro e, normalmente, é vista pela primeira vez na escola, logo nas primeiras aulas da matéria. Alguns professores pedem que os alunos decoram as classes de elementos e seus símbolos para provas e trabalhos. Mas você já parou para pensar de onde teria surgido este instrumento tão importante para a química nos dias de hoje? Importante e famoso também, afinal, nenhum laboratório que se preza dispensa a presença de um exemplar afixado na parede e disponível para consulta, sempre que necessário.

Resumo das ideias de Mendeleiev e Meyer sobre a classificação periódica

Quando falamos a respeito da história da tabela periódica, dois nomes em especial merecem destaque. São eles: Mendeleiev e Meyer.

É claro que a tabela sofreu algumas mudanças após a primeira versão ser lançada. Até o século XIX, por exemplo, nem todos os elementos químicos que vemos hoje na tabela haviam sido descobertos. As modificações foram todas no sentido de aprimorar e facilitar a consulta dessa ferramenta auxiliar da química. E estes químicos que citamos acima, tiveram papel fundamental para que a tabela tomasse a forma que tem atualmente. Quer entender como?

Mendeleiev e a classificação dos elementos
Tudo começou em 1853, quando o químico russo Dmitri Ivanovich Mendeleiev estava separando os elementos químicos conhecidos até então em fichas individuais, para que pudesse melhor ordená-los. O critério levado em conta para coloca-las em ordem crescente foi a massa atômica de cada um dos elementos. Percebeu então que, a medida que ordenava, suas propriedades também começavam a se regularizar. Foi a partir dessa observação que o químico elaborou a primeira experiência da tabela periódica, na qual os elementos eram ordenados em ordem crescente de acordo com a massa atômica.

A sua tabela contava ainda com espaços em branco em lugares estratégicos, que eram na verdade reservados a elementos químicos que ainda viriam a ser descobertos. Ele era capaz até mesmo de prever algumas características destes elementos que, mais tarde, foram confirmadas quando as novas descobertas tornaram-se realidade. Apesar de toda essa perspicácia, sua tabela apresentava algumas inconsistências que ficavam evidentes, que levou a questionamentos se a massa atômica era mesmo um critério válido de classificação dos elementos químicos. Foi então que sua tabela foi aprimorada pelo químico inglês Henry Moseley. Em 1913, Moseley observou que, se ordenasse os elementos de acordo com o número atômico, (e não mais pela massa atômica como havia feito Mendeleiev) as propriedades aparentavam ainda mais regulares por grupo. Foi aí que a tabela periódica tomou a forma que a conhecemos hoje em dia.

Essa mudança, porém, não tira a importância do trabalho e pesquisas de Mendeleiev. Muito pelo contrário, ele teve suma importância para que a tabela chegasse à forma atual e a forma como ele organizou os elementos é lembrada até hoje dentre estudiosos da química. Em ambos os casos, a ordenação dos elementos apresentou coerência, visto que o objetivo da tabela é agrupar os elementos que apresentam propriedades semelhantes. O Sódio, por exemplo, localiza-se na tabela logo acima do Potássio, o que indica que suas propriedades físicas e químicas apresentam semelhança. Da mesma forma que o flúor, por exemplo, que apresenta propriedades bem diferentes destes dois que citamos, fica distante deles na tabela.

Antes de Mendeleiev, alguém já pensava na tabela: Meyer
A verdade é que Mendeleiev não foi o primeiro criador da tabela periódica. Por volta de o químico alemão Julius Lothar Meyer estudou os volumes e massas atômicas dos elementos, possibilitando ordená-los em um gráfico em 1864. Ele também buscava agrupar os elementos que apresentavam propriedades similares. Seu trabalho foi bem parecido com o de Mendeleiev e você deve estar se perguntando por que então um levou a fama enquanto do outro pouco se ouve falar.

A resposta é bem simples: Meyer duvidou de suas próprias conclusões, confirmou-as apenas 5 anos depois porque não acreditava no que ele próprio havia descoberto. O tempo que perdeu com revisões e mais revisões de seus estudos foi suficiente para que Mendeleiev lançasse o seu modelo de tabela e se tornasse conhecido como um dos precursores deste elemento químico.

Quando questionado pela comunidade científica, acerca da inadequação de certos elementos aos grupos e a ordem aparentemente errada, Meyer sentia-se inseguro quanto à suas convicções, enquanto Mendeleiev desafiava saberes já estabelecidos mundialmente, para defender suas descobertas com firmeza, ele realmente acreditava nelas e sentia-se capaz de modificar conceitos antigos no mundo da química. Sua tabela também foi modificada posteriormente, mas ele representa até hoje um importante marco no mundo da química.

A lição que fica de tudo isso: ser o primeiro a acreditar em seu próprio trabalho poderá fazer toda a diferença na forma como ele será visto pelo mundo. Não devemos deixar que questionamentos nos deixem em dúvida a cerca da nossa própria capacidade de criação e desenvolvimento.