Argumento de causa e consequência, comparação e dedução – Silogismo hipotético e Silogismo disjuntivo


Argumento de causa e consequência

• Se uma determinada causa provoca uma determinada consequência, é lógico concluir que causa e consequência estão correlacionadas, mas é preciso demonstrar por que razão isso ocorre.

Argumento de causa e consequência

Assim, é correto afirmar que “falar demais e alto” (A) causa/provoca/tem como consequência a “afonia” (B), apresentando a razão que liga A e B: as cordas vocais se cansam.

• Mais de uma causa pode ser apresentada para uma consequência: “falar alto” (A), “fumar muito” (B), “beber demais” (C) podem provocar “afonia” (D).
A, B e C são causas da consequência D. Nesse caso, a eliminação de uma ou mais causas não garante a eliminação da consequência.

• Quando há várias causas para uma consequência, é necessário selecionar a mais expressiva. A violência, como consequência de condições sociais desfavoráveis, tem como causa maior a miséria.

• Na relação de causa e consequência, os fatos devem estar relacionados e comprovados: se alguém fica afônico porque fala demais, é necessário comprovar se “falar demais” foi a causa da afonia, ou ainda, se todas as pessoas que falam demais tornamse afônicas. • Várias consequências podem ser fruto de uma única causa “maior”: afonia, estafa, cansaço respiratório, comprometimento do coração podem ter como causa “fumar demais”. • As causas, geralmente, são complexas, porque podem ser efeitos de outras causas/conseqúên cias: um indivíduo fuma demais porque é nervoso; é nervoso porque sofre de rejeição; sofre de rejeição porque foi abandonado pelos pais etc. • Não se deve concluir além do que a(s) causa(s) su gere(m)/suporta(m), pois o fato de se ter encontrado pelo menos uma causa já demonstra capacidade de percepção por parte do enunciador. Argumento de comparação (analogia) • Para se criar o argumento por analogia, não é necessário comparar mais de dois termos (duas ideias, duas situações, dois indivíduos etc). Basta destacar o que os assemelha. Há inúmeros aspectos que servem de elementos comparativos entre o ensino ministrado nas escolas particulares e nas escolas públicas. É preciso eleger o mais expressivo.

• Os termos confrontados na comparação devem partir de premissas verdadeiras. • Analogia que elege um modelo, há pessoas que preferem tratamento com a medicina alternativa, portanto tudo que se aproxima dessa área é confiável. • Analogia que privilegia um termo em detrimento de outro: cigarros sem filtro são mais saborosos que os com filtro. Argumento por dedução • É possível haver um grau de incerteza em todos os argumentos, mas, no raciocínio dedutivo bem construído, a verdade contida nas premissas nos dá segurança de que as conclusões são verdadeiras. Se as premissas “todos os homens são mortais” e “sou homem” são verdadeiras, então também é verdadeira a conclusão de que “sou mortal”. Para se discordar desse argumento, é necessário discordar das premissas o que garantiria um atestado de loucura a quem ousasse ser discordante, pois se trata de premissas incontestáveis. • Apresentamos em seguida dois tipos de silogismo com o quais se pode elaborar um argumento lógico:

a) Silogismo hipotético
Premissa: Se a prática de exercícios físicos contribui para uma vida saudável. Premissa: Se a vida sedentária não é saudável. Conclusão: Portanto serei mais saudável praticando exercícios físicos.
b) Silogismo disjuntivo
Premissa: O jovem ou se entrega ao convívio social para ser aceito, ou se afasta da companhia de todos e vive em seu mundo ocluso. Premissa: O jovem não pode se isolar de seu grupo porque corre o risco de ser marginalizado.
Conclusão: Logo o jovem deve entregarse ao convívio social.
• Argumento dedutivo em várias etapas: “Aquele jovem não olhou para ninguém (A), o seu rosto estava abatido e os olhos avermelhados (B); evitou todas as aproximações (C); sua namorada não veio à aula (D); quando lhe perguntaram onde ela estava, respondeu que não queria saber (E). Com certeza, ele levou um fora (F). As etapas de A a E conduzem à conclusão F.

2. É preferível aceitar a ditadura do produtor de notícias a legalizar a censura à imprensa.

Leia atentamente os fragmentos a seguir e reconheça o(s) argumento(s) empregado(s) em cada um deles.
1. O tempo pobre, poeta pobre fundemse no mesmo impasse.
Carlos Drummond de Andrade

3. Em poucos anos, nossa vida passou a ser construída de uma maneira sem precedentes e sem exemplos na história da cultura: a máquina governa; a vida humana é rigorosamente controlada por ela, (A) escreveu Valéry. Pulsões divergentes são canalizadas; a representação triunfa sobre o que é representado; as imagens perdem a força e o sentido originais e são produzidas apenas para o prazer dos olhos; os poderes sobre o tempo e o espaço são utilizados de tal maneira que acontecimentos distantes são conhecidos em frações de segundo. (B) Pressionados pela grandeza e pela onipotência dos novos meios, suportamos, a um só tempo, o peso e os benefícios dessas mudanças. (C)
Adauto Novaes

5. As pessoas que tomam um antibiótico fortíssimo para combater uma simples gripe possibilitam que o seus organismos selecionem as bactérias. Assim, quando realmente necessitarem daquele antibiótico, ele não fará efeito (A) alertam os médicos condenando a automedicação, sem que com essa advertência estejam induzindo os pacientes a gastarem mais com consultas médicas (B).

8. Quando Pd é fez isso (driblou vários jogadores e marcou o gol), baixou no çstádio a certeza de que virá do Brasil para o mundo a grande Palavra Nova. Ao mesmo tempo, assistimos ao nascimento de um novo fanatismo e de uma nova fé: o escrete. A seleção, repito, é a pátria sem esporas e sem penacho.
Nelson Rodrigues

6. Todo sistema expressa por meio de um projeto de Educação a sua ideologia. A escola brasileira, pós64, excluiu disciplinas da área de Humanas ou diminuiu a carga horária delas. Formaramse, então, gerações sem amor pela crítica e pela análise.
A vida é caótica, o futebol tem regras rígidas e bem definidas; na vida, as leis existem, mas nem sempre são aplicadas decente e coerentemente, enquanto no futebol há sempre dois juizes para julgar a atuação dos jogadores; o sucesso na vida depende do indivíduo e de todos os empurrões que lhe derem, o sucesso de um time depende do talento individual e do trabalho em equipe, tudo sob os olhos atentos de um técnico, de uma equipe técnica; o prazer de viver resulta de uma perigosa batalha que o ser humano trava consigo mesmo ou de uma extrema alienação, o prazer de assistir a uma partida resulta da extraordinária combinação do previsível com o imponderável; a vida peca pelo excesso de realidade e só se amplia quando se abre para o sonho, a criação do imaginário, nem que este seja formado por chutes ao gol que não demos.

10. Parece razoável que é preferível um trabalhador infantil a um menino de rua desocupado ou precocemente criminoso.
Editorial da Folha de S. Paulo

11. Ultimamente tem sido muito divulgada pela imprensa a ferocidade dos cães pit buli. Fico a perguntar, justamente quando a dupla sertaneja Lúcia no e Zezé Dl Camargo atravessa uma grande dor diante da atrocidade que fizeram com seu irmão (o irmão dessa dupla fora sequestrado): será que o ser humano não está a competir com essas feras? Acredito que é hora de reacender a discussão sobre a pena de morte para determinados crimes praticados pelos seres humanos da raça pit buli.
C. A. F., seção Cartas, Veja.
Para defender a pena de morte, de que argumento o autor do texto se vale?

12. (UNICAMPSP) O autor do texto a seguir conhece um tipo de raciocínio cuja estrutura lembra propriedades de um círculo e tenta reproduzilo. No entanto, não é bemsucedido.
(…) Gerase, assim, o círculo vicioso do pessimismo. As coisas não andam porque ninguém confia no governo. E porque ninguém confia no governo as coisas não andam.
Gilberto Dimenstein, Folha de S. Paulo.
a) Reescreva o trecho de maneira que ele passe a ter a estrutura de um verdadeiro círculo vicioso.

13. (UNICAMPSP) No vestibular Unicamp/91, havia uma questão baseada em um engano do jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha de S. Paulo, que, ao tentar explicitar um “círculo vicioso”, confundiase. Em sua coluna do dia 19/6/91, ele voltou a cometer exatamente o mesmo equívoco:
“Dúvida procedente: até que ponto Collor também é “República de Alagoas”? Ou seu refém? Não é sem motivo que apelidaram o portavoz Cláudio Humberto Rosa e Silva de “biscoito Tostines”. Não se sabe se ele continua portavoz porque sabe demais. Ou se porque sabe demais é portavoz.”
Compare o texto da publicidade do biscoito (“Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”) com o de Gilberto Dimenstein e responda:
a) Qual o trecho que, segundo o jornalista, justifica o apelido de Cláudio Humberto?
b) Comparando o que você fez e o que fez o autor, explique em que ele se equivocou?
b) Como deveria ter sido escrito esse trecho, para que o apelido de Cláudio Humberto fizesse sentido?

16. Conclua:
Premissa Os indivíduos mais tensos estão mais propensos a ataques nervosos. Premissa Eu não sou tenso, pelo contrário, sou muito tranquilo.
Conclusão:
c) Se Gilberto Dimenstein fosse coerente com sua maneira de construir círculos viciosos, como escreveria a propaganda do biscoito Tostines?

17. Se a casa não foi arrombada, como atestam as portas, as janelas e o telhado; se as jóias sumiram, então alguém de casa ou que tem acesso a ela com o consentimento dos moradores deve têlas levado. Como se chama esse raciocínio?

14. Ciência e religião não se casam. Esta não me convence; aquela soluciona os meus problemas dizia João com segurança absoluta. Mas por que ele sempre rezava em momentos difíceis? O que a pergunta do enunciador revela?
15. Minha mãe dirige mal aliás, todas as mulheres dirigem mal. Que erro de argumentação existe nesta frase?

TEXTO PARA os EXERCÍCIOS DE 18 A 20
Folha de S. Paulo: E o voto dos analfabetos. O senhor é a favor ou contra?
Tancredo Neves: Sou a favor do voto do analfabeto numa primeira etapa experimental, nas eleições municipais. Já o voto do analfabeto levado às eleições estaduais e federais me parece um grave risco. Nas eleições municipais não existe esse risco porque os analfabetos conhecem todos os candidatos, convivem com eles e têm critérios para aferir qual é o melhor, qual o mais conveniente para os interesses do município. Já não acontece o mesmo com as eleições estaduais e federais, em que, com a eficiência e poder de sedução e até de alienação dos instrumentos de comunicação, os analfabetos podem se transformar em robôs ou em autómatos de determinadas correntes de ideias e convicções.
Folha: Existe na sua equipe algum estudo sobre o problema do menor?
Tancredo: É, realmente esse é um problema muito estudado hoje no Brasil. E ele não oferece mais segredos, todos sabem como tratálo, como atacálo. O que tem faltado no Brasil é recurso financeiro.
Folha: Mas não há nada planificado ainda?
Tancredo: A legislação atual precisa ser apenas ampliada e os programas fortalecidos financeiramente.

18. Que argumento Tancredo Neves (então presidente do Brasil) usa para justificar a tese de que o analfabeto deve votar nas eleições municipais? Transcreva o trecho que contenha esse argumento.

20. Em seguida, a Folha faz mais duas perguntas, a) Tancredo as responde?
b) Que artifício retórico ele usa em suas respostas?

19. Por que Tancredo Neves é contra o voto do analfabeto nas eleições estaduais e federais?