Recursos argumentativos: Argumento de autoridade, de provas concretas, de consenso e de competência linguística


Introdução
O mundo produtor de ideias é vastíssimo e fecundo; nos dias atuais, dada a velocidade da informação/comunicação, o homem não dá conta de tudo que acontece e de tudo que se fala sobre o acontecido: a notícia de ontem já é velha hoje. Tentamos ler os livros que interessam (os necessários, também), os jornais diários, as revistas semanais, ver os noticiários da tevê e sempre nos resta a sensação de que ainda estamos em dívida.

Recursos argumentativos

Temos ideias formadas sobre o mundo, as pessoas, as coisas; temos outras em formação e muito para aprender e muito para repensar, reformular.
Ninguém gosta de perder uma discussão; todos temos dificuldade de conviver com o novo, pois ele nos desafia e exige de nós reformulações. Mas é necessário ir, caminhar em direção ao futuro, por isso cedemos muitas vezes, para comungar com o outro e, principalmente, para formar a nossa própria identidade.
Num debate, vence quem tem domínio do assunto e sabe articular seus argumentos.

Recursos argumentativos
No bimestre passado, estudamos os argumentos baseados em juízos; neste entraremos em contato com os argumentos baseados em dados da realidade.
Argumento de exemplificação (ilustração)

Para quem se preocupa com o resultado, persuadir é mais que convencer, pois a convicção não passa da primeira fase que leva à ação. Para Rousseau, de nada adianta convencer uma criança “se não se sabe persuadila”.
Chaim Perelman e Lucie OlbrechtsTyteca
Comentário
O trecho em destaque encerra um argumento de autoridade. Os autores do texto citam o pensador francês JeanJacques Rousseau para reforçar a tese que defendem.

Argumento de consenso

Num texto, o “modo de dizer” é tão importante quanto “o que se diz”, pois esse procedimento confere credibilidade ao texto e a quem o redige.
Falar bem não significa necessariamente falar com correção; significa exprimir a inteireza da ideia com expressividade e, para isso, vale tanto a norma culta quanto qualquer recurso que a língua oferece.
João Cabral de Melo Neto faz uso, com expressividade, de falas populares em Morte e Vida Severína:
E foi morrida essa morte, irmão das almas, essa foi morte morrida ou foi matada? Até que não foi morrida irmão das almas, esta foi morte matada, numa emboscada.

O país “viável”, que almeja um futuro brilhante, deve, com urgência urgentíssima, estancar esse processo de desníveis gritantes e criar soluções eficazes para combater a crise generalizada, pois a uma nação doente, miserável e semianalfabeta não compete a tão sonhada modernidade.
Editorial de O Estado de S. Paulo
Comentário
O trecho em destaque contém um argumento de consenso, isto é, contém uma verdade partilhada pela maioria.
Argumento de competência linguística

Atividade de criação

Seleção de futebol (…), o povo não perdeu o amor pelo esporte; embora não (…), o nosso cinema está renascendo.
Embora haja (…), o brasileiro não perde a esperança.

Leia atentamente as propostas que seguem e escolha apenas uma, para desenvolvêla num texto dissertativo em prosa, conforme as instruções específicas.
Primeira
Embora o Governo não (…), o Brasil vai caminhando; embora a Televisão (…), há nichos de resistência criando novas formas artísticas; embora nossa escola (…), cresce o número de interessados por uma educação de nível superior; embora a nossa se

Instruções
1. Preencha os parênteses, mantendo as relações de oposição que o contexto exige. 2. Crie outras oposições, seguindo o modelo das que existem no texto. 3. A última frase deve ser a conclusão. Segunda Depois de um período de obscurantismo (ditadura militar), de indefinições políticas, de escândalos de corrupção, tantos planos económicos, eis o quadro da miséria. Instruções 1. Valendose dos argumentos de enumeração, de exemplificação e de provas concretas, detalhe o quadro de miséria em que vive grande parte da população brasileira. 2. Os demais argumentos podem ser empregados. 3. Elabore uma conclusão para o seu texto.

Quinta

É quase invencível a tentação de tascar um “pobre do país que precisa de heróis”, ao acompanhar o processo de beatificação do jovem tenista Gustavo Kuerten.
Mas vá lá, admitamos que os países precisem de fato de heróis e que eles, hoje, só estão disponíveis no território do esporte.
Ainda assim, é absolutamente notável a ânsia com que os brasileiros se atiram à caça de um novo Ayrton Senna, devidamente pautados pela Rede Globo de televisão. (…)
O problema é a urgência com que se busca inventar um novo herói. O piloto Rubens Barrichello já foi vítima do mesmo processo, com um resultado pouco agradável para ele: hoje, é folclorizado no “Casseta e Planeta”.
Não sei se o Ronaldinho não caiu na mesma máquina de moer carne humana. Já faz um bocado de tempo que ele não exibe nem remotamente o brilho de seus primeiros momentos em Barcelona.
Será que o país anda tão mal das pernas que precisa colher seus heróis no pé, ainda verdes?
“Heróis prematuros”, Clóvis Rossi, Folha de S. Paulo.
Instruções
1. Elabore um texto dissertativo em prosa, desenvolvendo o tema contido na frase que encerra o texto. 2. Procure empregar os argumentos que você aprendeu.

Sexta e Sétima
Instruções
Você tem, pois, duas questões nesta prova (Bloco l e Bloco 2) e pode escolher aquela que mais lhe apetecer. Ao optar por um dos blocos, Ignore o Outro.
Posicionese, quer seja utilizando argumentos expressos nos fragmentos apresentados, quer seja em seus próprios, mas sempre integrandoos em um todo coerente e organicamente estruturado.
Se escolher apenas um dos fragmentos, não se esqueça de refutar as ideias expressas nos demais.
Em optando por um posicionamento pessoal, distinto dos apresentados nos fragmentos, fundamente bem suas ideias, mas sem se desviar do assunto.
Dê um Título Sugestivo à sua Redação. Bloco l* 1. A prisão especial surgiu em 1941, com o Código de Processo Penal. Dela se beneficiam ministros, governadores, senadores, deputados, magistrados, militares e detentores de diploma universitário em geral. Quando submetidas a prisão preventiva, e enquanto não houver condenação definitiva, essas pessoas têm direito a um lugar melhor do que as celas comuns. 2. Se os parlamentares, os juizes, os professores, os jornalistas, os advogados, os engenheiros, as pessoas com nível superior fossem submetidos, como os demais cidadãos brasileiros, às atuais condições carcerárias, não estaríamos todos nós, e a sociedade brasileira, lutando para que o sistema carcerário tivesse condições de maior igualdade? Senador Eduardo Suplicy 3. Como jogar uma pessoa (com direito a prisão especial) numa prisão comum, no estado em que se encontra o nosso sistema carcerário? Senador Eduardo Suplicy 4. Aquilo que poderia ser agravante é atenuante: quem teve toda a capacidade de receber da sociedade condições de se educar, de discernir, de não ser marginal, de não ser criminoso, recebe a comodidade de celas especiais, de tratamento diferenciado. Senador Roberto Freire * Os quatro fragmentos foram extraídos de “O Brasil profundo em debate”; Hòbérto Pompeu de Toledo, publicado na revista Veja. : ‘

Bloco 2
Tomese uma conversa entre adolescentes. É entrecortada, cheia de exclamações. Não há fluência de expressão, e eles parecem não ter capacidade de expressar um pensamento completo. Esses jovens não trocam experiências, apenas reafirmam comportamentos e atitudes que já são conhecidos por todo o grupo. É a uniformização da sociedade de consumo, que dispensa a troca de experiências e também torna dispensável a língua. (…)
José Paulo Paes, em entrevista à revista Veja.
Mas não podemos deixar de reconhecer que a linguagem estudantil é mais concreta, utilitária, rápida, e é a proximidade com a vida objetiva, com a realidade diária, que condiciona a formação de seu vocabulário. É materialista e sentimental, ou seja, as duas maneiras de ser na realidade imediata. Carece, pois, de refinamentos formais. Por isso ocorre a aceleração na renovação da linguagem. Existe uma necessidade premente de exprimir uma ideia, de criar novos termos, de insuflar nova vida no léxico.
Mônica Rector. A linguagem da juventude.

Oitava
Considere:
• Pecar pelo silêncio, quando deveriam protestar, torna os homens covardes. Ella Wheeler Wilcox • A única lição que podemos extrair da História é que não aprendemos nada com ela. Bertrand Russell Política é guerra. Política é poder. Oliver Stone • Se queremos progredir, não devemos repetir a História, mas construir uma História nova. Mahatma Gandhi Instruções 1. Elabore uma dissertação, em prosa, desenvolvendo um tema extraído da associação dos fragmentos anteriores. 2. Empregue dois desses fragmentos como argumento de autoridade.