Gilberto Freyre e as raízes ibéricas da cultura brasileira


Gilberto Freyre

Gilberto Freyre é considerado um dos grandes pensadores da literatura brasileira e é considerado o autor que melhor interpretou o país em amplos aspectos. Escritor, jornalista, poeta e pintor, foi como sociólogo que o polímata se firmou no cenário do século XX e até hoje foi o intelectual mais premiado da história.

Nascido em 1900 e morto em 1987, o pernambucano escreveu “Casa Grande e Senzala”, que se tornou um marco do pensamento social e até hoje é utilizado como base para reflexão sobre o patriarcado e das etnias que compõem o Brasil. Em sua obra estão importantes componentes das nossas raízes ibéricas, das quais sempre valorizou.

Casa Grande e Senzala

Complexo, difícil e até contraditório, Gilberto Freyre foi um dos maiores pensadores brasileiros. Sua diversidade de conhecimento e a forma abrangente de pensar sobre a sociedade brasileira faz de sua obra ainda um grande desafio ao pensamento. Embora seja clássico, sua abordagem moderna e contemporânea sobre o país são profundamente atuais.

Gilberto Freyre tinha uma forma bastante peculiar de interpretar a questão racial brasileira. Enquanto ela era explicitada de forma negativa pelos grandes autores na época, Freyre mostrava a vida de forma positiva na construção do país e da cultura como um todo. Para ele, a mistura de raças só valorizava ainda mais os padrões culturais brasileiros, com a influência dos indígenas, europeus e negros.

Seu foco era observar a dimensão cultura e a gigantesca relevância sobre a herança étnica brasileira, em oposição a outros intelectuais, como Sergio Buarque de Holanda, que em seu livro “Raízes do Brasil” apresentou o que essa mistura trouxe de negativo para o país. Nesta obra, Sergio Buarque de Holanda pontuava a influencia da colonização dos portugueses, dando como exemplo o conceito do homem cordial, que se influenciava mais pela emoção do que a razão, impedindo o desenvolvimento da sociedade como um todo em prol de benefícios diretos a aliados.

Enquanto Gilberto Freyre apresentava a adaptação rápida sofrida pelos portugueses, baseada na falta de orgulho da própria raça, dando espaço para o sincretismo religioso e cultura que aflorou no país. Segundo sua interpretação em “Casa Grande e Senzala”, a entrada de escravos negros dentro da casa grande, especialmente as mulheres, já era uma seleção natural dos indivíduos mais preparados para funções mais superiores de trabalho braçal.

Dessa forma, negros e brancos não se distanciaram com o patriarcado, diferente de outras civilizações. Esse atalho entre a senzala e a casa grande tornou a mistura étnica mais profunda e estimulou ainda mais os traços culturais de ambos, presentes até os dias de hoje. Freyre atribuiu a abolição da escravatura e o progresso do país como uma das causas do desequilíbrio social que está presente até os dias de hoje.