Resumo Alexandre Herculano


Alexandre Herculano, sem dúvida alguma, foi um dos maiores escritores da literatura portuguesa de todos os tempos e, ao lado de Almeida Garret, foi o grande responsável por trazer o Romantismo a Portugal.

Resumo Alexandre Herculano

Ele estudou latim, lógica e retórica no Palácio das Necessidades e matemática na Academia da Marinha Real. Queria seguir a carreira comercial, mas se destacou mesmo na literatura. Sua obra é um retrato da história de Portugal.

As origens da nação portuguesa eram o assunto que predominava em seu trabalho, uma vez que Herculano era um grande admirador da história de seu país. Além disso, havia na época um grande interesse por parte de toda a população de conhecer as suas origens.

Como um liberal, travou uma série de polêmicas com o clero, mas sem sofrer grandes reprimendas.

A Vida

Nascido em 28 de março de 1810, os pais de Alexandre Herculano eram Maria do Carmo Carvalho de S. Boaventura e Teodoro Cândido de Araújo. O seu pai trabalhava como funcionário na Junta de Crédito Público portuguesa.

Até os 15 anos de idade, ele estudou no Colégio dos Padres Oratorianos de São Felipe de Néry, no Convento das Necessidades, na cidade de Lisboa. Teve que arcar com todas as despesas da família desde muito jovem. Seu pai ficou cego e ele se tornou responsável pela manutenção do lar, o que o impediu de ingressar na vida acadêmica.

Apesar disso, estudou italiano, francês, inglês e alemão e adquiriu uma formação literária sólida.

Aos 21 anos de idade, participou do IV Regimento de Infantaria de Lisboa, durante a guerra civil de 1831, contra o rei D. Miguel I.

Diante do fracasso do motim, foi obrigado a se refugiar na Inglaterra e na França. Depois disso, se juntou ao exército dos liberais de D. Pedro IV (o nosso D. Pedro I), nos Açores. Foi nomeado por ele como segundo bibliotecário na renomada Biblioteca do Porto.

O escritor permaneceu ali até ser chamado para dirigir O Panorama (1837-1868). A revista marcou o início do Romantismo em Portugal e Herculano trabalhou como redator principal entre os anos de 1837 e 1839.

Ainda nos tempos de O Panorama (1837), tornou-se o responsável pela redação do Diário do Governo, um jornal que dava suporte ao partido que estava no poder. Pouco tempo depois, desistiu do ofício.

Em 1839, foi nomeado pelo rei D. Fernando como diretor da Real Biblioteca da Ajuda e das Necessidades, tendo ali permanecido até o final de sua vida. Em 1840, o escritor chegou a ser parlamentar, como deputado do Partido Cartista, mas não se identificou por conta dos esquemas e das manobras políticas que já existiam naquela época.

Casou-se em 1º de maio de 1867 com Mariana Hermínia de Meira e morreu em 18 de setembro do ano de 1877, aos 67 anos, sem deixar filhos.

Obras

Apaixonado pela história de Portugal e movido pelos ideais românticos de “retorno às origens”, Alexandre Herculano foi o grande nome do romance histórico português. No século XIX, tempo em que o autor viveu, havia em Portugal uma crescente preocupação em se conhecer as origens do país, bem como a formação do povo.

A obra Eurico, o presbítero (1844) foi considerada o melhor romance do autor. Na trama, Herculano questiona o celibato, em uma história ambientada no século VIII. Aborda, essencialmente, a questão das reconquistas dos territórios portugueses.

Eurico é um homem que, depois de viver um romance proibido, entrega-se à religião, tornando-se padre. Ao descobrir que os árabes estão invadindo Portugal, transforma-se no “Cavaleiro Negro”, um herói que luta pelo povo português. Na trama, há muito romance, mas com ênfase nos fatos históricos.

Outro trabalho de destaque, do qual não se pode deixar de falar, é a História de Portugal (1846), obra que trouxe a historiografia científica em Portugal. Esse trabalho levantou uma série de polêmicas, sobretudo com o clero, pois, como era de se esperar, Herculano faz severas à Igreja.

Outros trabalhos são na poesia: A voz do Profeta (1836), Poesias (1850) e A Harpa do Crente (1838). No teatro: Os infantes em Ceuta (1842) e O Fronteiro de África (1838). Na prosa temos: O Pároco de Aldeia (1825). No Romance Histórico, além de Eurico, o Presbítero: Época Visigótica (1844), O Monge de Cister, Lendas e narrativas (1851) e Época de D. João I (1848) .

O idealista

Alexandre Herculano se identificava com a esquerda do Partido Cartista, o partido de tendências mais conservadoras em Portugal. Engajou-se em vários momentos históricos de seu país, tendo se alistado, em 1832, no Regimento dos Voluntários da Rainha, durante a Guerra dos Liberais e chegando, até mesmo, a ser deputado federal. Ocorre que, diante do jogo de interesses que já existia, desistiu do cargo, afastando-se aos poucos da política e engajando-se cada vez mais à literatura, seu grande instrumento de veiculação de ideias e ideais.