Rococó


O rococó é um movimento artístico circunscrito ao século XVIII, espremido entre o barroco e o movimento neoclássico, nitidamente marcado pelo desinteresse em se proclamar ou se firmar como movimento artístico.

Rococó

A forma de expressão alegre, sensual e divertida é o principal traço desse movimento, que se alimentou da técnica do barroco, sem deixar de criar sua própria identidade, alinhada com o modo de vida da aristocracia da época.

Historicamente o século XVIII foi uma época de paz e esplendor das aristocracias, ao mesmo tempo em que o renascentismo se esgotava como fonte de inspiração artística e o iluminismo se agigantava no terreno do pensamento.

É, também, no final do século XVIII que a primeira Revolução Industrial ganha forma, ao mesmo tempo em que eclode a Revolução Francesa e o neoclassicismo ganha força, opondo-se ao barroco e ao rococó, resgatando, se não na plenitude da técnica, pelo menos na pretensão, os traços da arte clássica grega e romana.

Nitidamente aristocrático, o rococó surgiu na França. Leveza, alegria, intimismo e sensualidade foram os traços que construíram esse movimento, que surgiu da febre pela decoração de interiores, da qual derivaram suas primeiras obras.

No princípio, o rococó se fez fortemente presente no mobiliário da época, que acabou conhecido como estilo Luis XV e Luis XVI.

O estilo rococó irradiou-se pelos principais países da Europa e chegou ao Brasil colonial. Rococó deriva de “rocaille”, palavra francesa, que, traduzida para o português designa algo parecido com “formato de concha”. Essa associação está presente nas linhas presentes nos objetos decorativos.

O fato histórico que desencadeia o fenômeno do rococó é a mudança da corte de Versailles para Paris em 1715, que aproximou duas vertentes da elite da época. De um lado, a nobreza, de outro, a rica burguesia, que nutria o desejo de reconhecimento e prestígio, copiando o jeito de ser da nobreza.

Financiar artistas era uma das formas que essa nova classe encontrava para aferir prestígio, numa época em que o apreço às artes se misturava ao modo efervescente de viver daquela sociedade festiva. Dentro das perspectivas da decoração de interiores, proliferaram as pequenas esculturas e quadros decorativos, com destaque para as formas alegres e sensuais, sem uma preocupação com a estética filosófica e moral. O objetivo da arte rococó era entregar às pessoas o que elas buscavam: um misto de prazer e elevação artística sem pretensão.

Estiveram fortemente presentes nesse período as linhas curvas, fluídas e delicadas, a utilização de cores claras e a abordagem lúdica, intimista e mundana, retratando os costumes, atitudes e comportamentos de uma sociedade que viria a ser tomada como frívola, não que a frivolidade não exalasse das obras, convivendo com sofisticação, elegância e exuberância.

Presença na arquitetura

Engana-se, todavia, quem imagina que os traços do rococó ficaram marcados somente na pintura e na produção de pequenas peças de arte decorativas.

O rococó se fez presente na escultura, apresentando traços deslumbrantes, presentes em diversas obras, desprovidas da inspiração religiosa que marcou o barroco, mas prenhe de seus traços nas formas, acentuados pela suntuosidade e exagero.

O rococó foi o principal traço da arquitetura durante o século XVIII, colocando Paris no centro da produção artística, posição anteriormente ocupada por Roma. Entre as características arquitetônicas, destaque para os telhados em duas águas, uso de curvas para suavizar as formas, ausência de elementos clássicos, como os frontões, colunas e esculturas, janelas e portas maiores, dotados de arcos de volta-perfeita e fortemente marcados no exterior das construções por traços decorativos. Os móveis ganham grande importância na decoração interior, um traço até hoje presente.

O Hôtel de Soubise e o Petit Trianon, construídos, respectivamente, por Germain Boffrand e Jacques-Ange Gabriel, o primeiro em Paris, com decoração de Nicolas Pineau, o segundo em Versailles, são representantes fiéis do estilo rococó, que, entre seus traços, tem a predominância das cores claras na parede, com ênfase no dourado e no prateado no acabamento das telas, relevos, afrescos e tapeçarias.

Na Alemanha, o Palácio Sanssouci é uma das mais esplêndidas criações do período, presente em Potsdam, região de Berlim, no Parque Sanssouci. A suntuosidade está bem retratada no jardim, onde as videiras são protegidas por 168 potas envidraçadas.

Leveza e erotismo presentes na pintura

A leveza está presente também na pintura rococó. O foco da produção artística na decoração, aliado à influência hedonista, traço cultural das elites da época, contribuem para uma arte que mistura cores leves, despretensão e graciosidade.

Os artistas do período retratam, sem uso de abstrações, as cenas da época de uma forma quase teatral, conferindo ritmo e movimento às obras. Esse é um traço que está fortemente presente na obra de Jean-Antoine Watteau, um tributo à convivência social, ao erotismo à música e à alegria, elementos presentes também na obra de François Boucher, que retratou em sua obra paisagens e interiores, Jean-Honoré Fragnard e o italiano Canaletto.

Em que pese o breve período e a baixa expansão territorial desse movimento artístico, que, em parte da Europa Central e Europa Oriental, praticamente se confundiu com o Barroco, não se pode negar sua contribuição, particular e principalmente por sua estética única e peculiar na história da arte, assim como suas preocupações e compromissos, ou a ausência deles.