Bacuri (Platonia insignis)


Platonia insignis é a nomenclatura científica do bacuri, árvore nativa da Amazônia, presente também na região do Cerrado, principalmente nos estados do Piauí e Maranhão, e em alguns pontos da Mata dos Cocais. Também é encontrada em outros países da América do Sul, como Peru, Colômbia, Bolívia, Equador e Guianas.

Bacuri (Platonia insignis)

Bacuri é uma palavra de origem indígena (tupi) e quer dizer “aquele que cai logo que amadurece”. A árvore foi descrita pela primeira vez em 1816, pelo botânico Manoel Arruda da Câmara.

Como o pé de bacuri é bem alto, a queda dos frutos, após o amadurecimento, facilita a coleta.
O bacuri é uma espécie frondosa, que pode chegar a uma altura de 40 metros. Leva cerca de 10 anos para completar o ciclo de crescimento. As folhas são rígidas, brilhantes e a copa da árvore pode chegar a dois metros de diâmetro.

Durante muito tempo, esse tipo de árvore era utilizado como fonte de madeira de alta qualidade para a construção de moradias e embarcações. As cascas podem ser usadas para calafetar embarcações e a resina extraída do caule serve para o preparo de produtos veterinários.

Contudo, o bacuri também fornece frutos saborosos e nutritivos e belas flores brancas, vermelhas e rosadas. O sabor do bacuri é exótico e agridoce. O bacurizeiro silvestre começa a produzir os frutos a partir do quarto ano de vida. A safra de bacuri, na Amazônia, acontece no período de janeiro a maio, sendo que o pico de produção ocorre nos meses de fevereiro e março. No estado do Pará, a safra vai de janeiro a abril. Na região do Meio Norte, a melhor época para encontrar o bacuri é de dezembro a março, com maior abundância da fruta em janeiro e fevereiro.

Após a floração, os frutos estão prontos para o consumo em quatro ou cinco meses. Os bacuris de árvores nativas caem logo que amadurecem, portanto, são coletados no chão. Geralmente, o fruto não sofre danos ao despencar dos galhos, pois a casca é bem resistente. Árvores produzidas a partir de enxertos possuem um porte mais baixo e, assim, é possível colher os bacuris diretamente dos galhos. A polpa do bacuri está própria para consumo por até 10 dias, em média.

Reprodução do bacuri

A reprodução do bacurizeiro é relativamente simples. Pode ser feita através do plantio de sementes ou com a brotação de raízes. A densidade dessa árvore pode atingir 40 mil pés por hectare, em locais com vegetação mais aberta. A facilidade de reprodução é tanta que, na Amazônia, a população costuma dizer que o pé de bacuri pode crescer dentro das casas.

O bacurizeiro desenvolve-se bem em áreas abertas e em qualquer tipo de solo, porém, a planta não se adapta às regiões de clima frio.
Uma planta adulta, com 10 a 15 anos de idade, chega a produzir até 750 bacuris em cada safra.

Bacuri, faz bem à saúde

O bacuri é um fruto de tamanho semelhante ao de uma laranja, mas é mais pesado. O peso varia de 350 a 500 gramas. A casca é dura e a polpa é branca. É rico em fibras, sais minerais como o cálcio, potássio, ferro e fósforo, além de vitaminas. A fruta pode ser saboreada in natura (embora o bacuri não seja digerido facilmente dessa forma) ou utilizada no preparo de deliciosas receitas, tais como sucos, licores, sorvetes, doces, geleias. O bacuri também serve para fazer xarope natural. As sementes têm gosto de amêndoas e são usadas para a extração de óleo.
Além de servir como alimento, o bacuri possui outras propriedades benéficas à saúde. O óleo extraído das sementes contém substâncias cicatrizantes e anti-inflamatórias. Cada fruto possui em torno de cinco sementes de cor marrom.

O óleo de bacuri possui uma concentração elevada de palmitoleico, um ácido graxo que pode ser utilizado na formulação de produtos para o tratamento de vários problemas de pele como espinhas, acne, eczema, manchas, erisipela, feridas e outras lesões.

Na Ilha do Marajó, é comum usar a manteiga preparada com óleo de bacuri para tratar mordidas de cobras e aranhas. Outro uso popular desse produto é para combater os sintomas de doenças com artrite e reumatismo. A manteiga de bacuri é absorvida pela pele com rapidez devido ao alto teor de tripalmitina.

Consumir bacuri regularmente ajuda a regular o intestino, fortalece as defesas do organismo, ajuda a controlar o nível de glicose no sangue e previne o envelhecimento precoce graças a seu poder antioxidante.

A cada 100 quilos do fruto é possível obter aproximadamente 25 quilos de polpa de bacuri. O preço da polpa de bacuri ainda é caro em comparação com outras frutas exóticas como o açaí e cupuaçu, que conquistaram consumidores além das fronteiras da região Norte do Brasil, contudo há grandes chances do bacuri conquistar o paladar nacional e internacional, além do uso medicinal e cosmético.

Por enquanto, o potencial econômico do bacuri ainda é limitado às pequenas indústrias do Norte e Nordeste do Brasil, mas, à medida que os estudos científicos avançam, é provável que haja um interesse maior no manejo de áreas onde existem bacurizeiros silvestres e no cultivo em maior escala dessa árvore tão versátil.