A Indústria no Espaço Norte Americano


Os Estados Unidos são indubitavelmente a maior potência do mundo, em diversos sentidos, inclusive o industrial. Eles são responsáveis por cerca de 27% de todo o fluxo produtivo do planeta, praticamente um quarto da produção mundial.

A Indústria no Espaço Norte Americano

Os EUA são um país de industrialização clássica, pois seu processo se iniciou já na Segunda Revolução Industrial, no início do século XIX. Antes disso, a região nordeste do país era a primeira a reunir todos os fatores necessários para a industrialização – mercado, elite empresarial, extinção do trabalho escravo, reservas de minério de ferro. Isso acontecia mesmo enquanto a Inglaterra ainda colonizava os norte-americanos. O fato de terem criado as Colônias do Norte, nessa área, sem trabalho escravo e com liberdade para o crescimento comercial, foi fundamental para que os EUA se tornassem o que vieram a ser ao longo dos anos.

Não podemos deixar de mencionar que não bastasse a abertura oferecida pela Inglaterra, o nordeste teve grandes vantagens pelas reservas minerais nos Grandes Lagos e jazidas de carvão mineral, nos Montes Apalaches. Os Grandes Lagos também eram uma ótima via de navegação, facilitando o transporte dos recursos não disponíveis no local.

Divisão da indústria no espaço norte americano

A indústria nos EUA é distribuída através de cinturões, ou “belts”. Os dois principais, polos da atividade industrial no país, são o Manufacturing Belt (Cinturão da Manufatura) e o Sun Belt (cinturão do sol).

– Manufacturing Belt
O Manufacturing Belt é a primeira região mencionada, do nordeste e centro-oeste. Lá nasceram grandes setores da indústria, como o têxtil, automobilístico ou o metalúrgico. No começo do século XX ele já concentrava aproximadamente 75% da produção estadunidense. Ao longo dos anos, ela foi perdendo um pouco de sua força e tendo que enfrentar concorrência, mas até hoje ainda é considerada uma das áreas mais industrializadas do mundo.

É lá que surgiram as megalópoles BOSWASH e CHIPITS. A primeira reúne cidades como Boston, Washington e Nova Iorque, e a segunda se deu pela união de Chicago, São Pitsburgo e Detroit. Não é a toa que esse cinturão ainda seja um grande pólo industrial e urbano.

Entretanto, as últimas décadas do século XX vem se tornando preocupantes para a região. Os altos custos de produção já fizeram com que muitas empresas se mudassem, e isso vem acontecendo lentamente, mas cada vez mais. Algumas pessoas chegam a se referir ao cinturão como Rust Belt, ou cinturão da ferrugem, em alusão a esse abandono.

Esses parques industriais estão se transportando principalmente para outros países, mas alguns apenas foram para outro ponto dos próprios EUA. É aí que surgiu o segundo maior cinturão norte americano.

– Sun Belt
Depois da Segunda Guerra Mundial, o sul e o oeste estadunidenses passaram a receber mais e mais indústrias, que vinham em busca de menores custos em comparação ao cinturão vizinho. Isso inclui tanto mão de obra mais barata quanto recursos e matérias primas mais econômicas.

O cinturão do sol (com esse nome porque a região sul do país é naturalmente ensolarada e quente) nasceu ainda em 1880, com indústrias têxteis, mas só se fortaleceu na Terceira Revolução Industrial, na qual novas tecnologias passaram a ser produzidas em grande escala. Lá se encontram as empresas de alta tecnologia, como as indústrias aeroespacial, robótica, de informática, de telecomunicações e mais. Não é a toa que foi no Sun Belt que surgiu o famoso Silicon Valley, ou Vale do Silício.

No Silicon Valley, além da abundância de silício para fabricar condutores elétricos, também surgiram tecnopolos importantes para o mundo inteiro. É a região mais associada aos centros de pesquisa e produção de grandes marcas tecnológicas, como a Google, Apple ou Microsoft. Outro fator fundamental para esse sucesso é a presença de muitas universidades que fornecem mão de obra qualificada para as grandes empresas.

Vale destacar, dentro do Sun Belt, as cidades da Flórida por seu trabalho na área aeroespacial, Seattle na área aeronáutica e Texas pela exploração de petrolíferos.

Atualmente

O desenvolvimento da indústria no espaço norte americano foi consistente desde o século XIX. Isso significa que, mesmo com contratempos importantes (como as duas grandes guerras), o crescimento não parou, chegando até o ponto no qual os EUA podem exportar produtos para o mundo inteiro. Ao mesmo tempo, também se tornaram grandes importadores dos recursos que não possuem em abundância, como o petróleo.

Hoje em dia, pode-se perceber que a alteração do Manufacturing Belt para o Sun Belt mantém os Estados Unidos em grande vantagem. O primeiro, mesmo em decadência, ainda é um dos maiores do mundo, e o segundo conquistou (e segue conquistando) o espaço industrial tecnológico que a humanidade atual exige. Tanto o Silicon Valley quanto as outras áreas de alta tecnologia produzem produtos e serviços essenciais para a sociedade atual.

Os estudos aeroespaciais, por exemplo, avançam aceleradamente e podem trazer soluções para grandes problemas na Terra. A produção tecnológica afeta a experiência dos consumidores com a internet, bem como com seus celulares e computadores. Seja pela competitividade americana, pelos recursos naturais ou pela ambição econômica, os EUA seguem tendo alguns dos maiores polos industriais desde o início de suas atividades.