Resumo do livro Morte e Vida Severina


“Poesia não é inspiração, é transpiração”, não é à toa que João Cabral de Melo Neto era apelidado de “o poeta engenheiro”, porque para ele, produzir arte não era uma questão apenas de se sentir inspirado, mas principalmente de trabalhar muito. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1920 e era um verdadeiro apaixonado por futebol. Parou de escrever no fim do século XX, ao descobrir que suas intensas dores de cabeça era motivadas por uma doença degenerativa que, aos poucos, poderia lhe roubar a visão.

Morte e Vida Severina é uma das obras mais importantes de João Cabral de Melo Neto, se não for, de fato, a principal entre tudo o que ele produziu. Se você ainda não conhece, leia agora um resumo do livro Morte e Vida Severina e inspire-se para começar a leitura!

Morte e Vida Severina

Resumo do livro Morte e Vida Severina – panorama geral e contexto

Essa obra é uma peça de teatro, mais precisamente um auto, que se caracteriza pelo tema trazer algum aspecto religioso e por ter alguma lição para o receptor. Pode-se dizer que João Cabral de Melo Neto, até aquele momento, tinha mais afinidade com os versos, por isso, escrever um texto do gênero teatral foi um desafio, que ele cumpriu com êxito.

Com Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto conseguiu atingir um público maior do que era possível apenas com as poesias. Além de ser um gênero mais democrático, a temática retratava um problema que era vivenciado por muitas pessoas, que, portanto, se identificavam com o livro.

Morte e Vida Severina dialoga com Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Para fins de análise, vale ressaltar que os anos de 1950 foram bastante produtivos do ponto de vista cultural no Brasil, governado pelo então presidente JK. Além de João Cabral, foi o auge de outros grandes literatos, como Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

Resumo do livro Morte e Vida Severina – enredo

É uma espécie de poema estendido em forma de peça teatral, que narra a vida de Severino, um retirante nordestino que resolve deixar o sertão pernambucana em busca de uma vida melhor. Na realidade, esse personagem representa um imenso grupo de pessoas que também deixava seus locais de origem para ir em direção a outros, onde a seca fosse mais branda e as condições fossem melhores.

Severino deixa sua terra em direção ao Recife e encontra-se com dois homens que levavam um corpo de outro que tinha sido assassinado. No diálogo travado entre eles, já há uma certa crítica ao uso do poder e à impunidade. O protagonista da história ajuda os outros dois a levar o falecido até o cemitério.

O Rio Capibaribe é quem guia os caminhos tomados por Severino. Em um dado momento, ele tenta encontrar um trabalho e se estabelecer na cidade em que estava, mas o que ele sabia fazer (plantar e pastorear animais) não era útil em um local onde a morte parecia ser o único negócio, assim, ele se obriga a dar continuidade à sua jornada.

Rumando para o Recife, pode-se dizer que Severino não alimentava grandes ambições e que a única coisa e que queria encontrar era um local que lhe oferecesse condições básicas de sobrevivência.

Ao chegar em seu destino, Severino acaba ouvindo a conversa entre dois coveiros, que comentam sobre seu trabalho e ainda falam sobre os retirantes, que saem do sertão e quando chegam ao Recife continuam com uma vida praticamente miserável para depois serem “enterrados no seco”. Nesse momento, o protagonista percebe que toda a viagem que realizou com muito esforço, na verdade, o conduziu apenas para o seu enterro e, com essa conclusão, pensa que se for levado pelo rio, ainda teria um enterro melhor, como os próprios coveiros haviam comentado anteriormente. Ele pensa em se suicidar, jogando-se no rio Capibaribe e adiantando a morte, que vai chegar de qualquer maneira.

Um pouco desorientado, mas conformado, afinal, não estava esperando muito mesmo, Severino vai andando até se encontrar com um homem chamado José, que morava na beira do rio. Os dois conversam, falando sobre assuntos gerais como o próprio rio, a vida, a fome, a miséria, até que José precisa se separar de Severino, porque recebe o chamado de que seu filho acabara de nascer.

Severino continua ali, não faz absolutamente nada além de observar os cumprimentos que o novo pai acaba de receber de seus vizinho e esse é um momento que lembra o nascimento de Jesus, afinal, não podemos nos esquecer de que Morte e Vida Severina é um auto. José volta-se para Severino e tenta convencê-lo de que o suicídio não é a melhor escolha.

Um pouco depois, quando Severino está pronto para se lançar às águas do rio, ouve-se o choro de um menino, simbolizando o renascimento da vida.

Esse pequeno resumo do livro Morte e Vida Severina já mostra o quão ele é interessante e atemporal.