Conhecimento Científico


O ser humano detém diferentes espécies de conhecimento, que vão desde os mais rudimentares, comuns a todos os indivíduos, até os mais complexos e aprofundados. Essa segunda categoria corresponde ao conhecimento científico. Em um primeiro momento, é útil perceber que o senso comum é amplamente utilizado no dia a dia, mesmo que a pessoa não se dê conta. Ele está presente na realização de tarefas cotidianas, e a maioria dos sujeitos não questiona se o procedimento está correto ou errado.

Conhecimento Científico

Características do conhecimento científico

Uma das características fundamentais do conhecimento científico é a chamada sistematização. Isso porque o saber em questão é ordenado e tem como fundamento um conjunto de preceitos que formam uma teoria.

Outro elemento importante desse saber é a verificabilidade. Ou seja, qualquer ideia ou teoria apresentada precisa ser comprovada a partir dos recursos da ciência para ser aceita como conhecimento científico.

Aqui, é válido apontar que o conhecimento científico é falível. Sendo assim, os resultados não são definitivos e determinadas premissas podem ser derrubadas ou substituídas por outras. No geral, essa substituição ocorre a partir de novos experimentos e estudos.

Pode-se dizer então que o conhecimento científico opõe-se ao senso comum por ser questionador. Ou seja, o senso comum só apresenta o motivo, porém não determina os caminhos que levaram às conclusões relatadas. Ele é pautado sobretudo nas crenças populares e nas noções que são transmitidas por várias gerações por meio de heranças culturais.

Outros fatores relacionados ao conhecimento científico e requerem atenção. Veja:

• Objetividade;
• Racionalidade
• Factualidade;
• Analiticidade;
• Comunicabilidade;
• Explicabilidade;
• Acumulabilidade;

Os passos a serem seguidos pelo método científico são os seguintes:

• Experimentação;
• Elaboração de hipóteses;
• Repetição da experimentação por outros cientistas;
• Repetição da experiência para testar as hipóteses;
• Formulação das leis e generalizações.

Quando os estágios mencionados acima não são atendidos, o pensamento representa unicamente um conhecimento filosófico. Nesse cenário, as verificações devem estar atreladas à lógica dos experimentos científicos e passíveis do escrutínio dos demais especialistas.

Uma breve história da ciência

Há variadas concepções do conhecimento científico ao longo do tempo, cada uma delas com as suas especificidades. Contudo, elas podem ser listadas do seguinte modo:

Ciência Grega (do século VII AC até o fim do século XVI)
Ciência Moderna (do século XVII até o fim do século XIX)
• Ciência Contemporânea (início do século XX até o momento atual)

Ciência Grega

Conhecida também como filosofia da natureza, tinha como interesse primário a natureza das coisas e do ser humano. Esse conhecimento estava vinculado à filosofia, disciplina hoje separada da ciência. Os pré-socráticos afastaram-se da mitologia, que creditava os fenômenos a forças espirituais, em particular os deuses. Eles inseriram a concepção de que existe uma ordem no universo que não depende da intervenção divina.

Nos moldes de Platão, o real não se encontra nas ocorrências e fatos tomados pelos sentidos. O mundo de verdade está nas ideias, e é desvendado na busca pela verdade, por meio de diálogo ou da criação de teses.

Para Aristóteles, o conhecimento está ligado a um argumento lógico que sustente os princípios defendidos. Afinal, todo o efeito deve suceder um atributo ou causa.

Ciência Moderna

Entre os marcos fundamentais para a ciência moderna está o trabalho de Galileu Galilei, que introduziu a geometria e a matemática como ferramentas científicas. O estudioso ainda aplicou o teste quantitativo experimental para se chegar à nomeada verdade científica. A perspectiva acerca do universo oferecida por Galileu distinguia-se significativamente do pensamento aristotélico, ainda impregnado por crenças religiosas e mitológicas. Por conseguinte, ele alcançou um domínio do debate científico, bem como do diálogo experimental. Esse diálogo implicava o emprego da inteligência e da razão para desenvolver um entendimento matemático do real. A natureza, por sua vez, tinha com incumbência concordar ou não com o modelo sugerido.

Ciência Contemporânea

Já na ciência contemporânea, os expoentes citados com mais frequência são Einstein e Popper. No começo do século XX, as ideias de ambos foram vistas como revolucionárias. Durante esse período, houve uma grande mudança nos parâmetros de ciência e do método científico. As normas antigas, consideradas incontestáveis antes, deram espaço a uma abordagem mais crítica. Como consequência, desmistificou-se a compreensão de que o método científico é algo guiado por regras rígidas que todos os pensadores devem obedecer para produzir uma tese científica. Dado o contexto, estabeleceu-se que existem tantas metodologias possíveis quanto há problemas identificados e cientistas em atividade.

Na ciência atual, a tarefa do pesquisador começa com a detecção de alguma dúvida, combinada à necessidade de se inquerir e formular respostas para elucidá-la. O processo progride em decorrência da demanda por resoluções para um dilema, que surge de certo fato ou conjunto de teorias.

De acordo com o conhecimento científico contemporâneo, não há diretriz para uma descoberta relevante. Por isso, a ocupação do cientista assemelha-se a do artista. Os caminhos percorridos até uma resolução podem ser os mais distintos, desde que acate às convenções já descritas no presente artigo.

Em suma, é correto afirmar que a ciência coloca-se como uma investigação, uma busca constante por respostas para os questionamentos propostos. Basta olhar para a história da ciência para se constatar que inúmeros fundamentos foram alterados ou revistos por causa de padrões novos. Um exemplo foi quando Galileu aprimorou áreas da mecânica de Aristóteles e Einstein conseguiu o mesmo com Newton.